quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Retorno ...
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Que mapa eu to pisando...
No sentido mais filosófico que pode se encontrar a pesquisa neste exato momento, é a possibilidade de colocar em pratica os questionamentos que pairam sobre as cabeças pensantes ; como poder enfatizar e proporcionar o pensar e a reflexão artística sobre : o que estou fazendo neste momento com a minha dança? Por que estou fazendo? para quem é, e para onde estamos indo com a nossa dança contemporânea?
Esses questionamentos vêm se intensificando na proposta de estudos filosóficos os por quês do Ser-humano e na investigação de um nova perspectiva artísticas para a Cia.. Foco investigativo. Fazer artístico. Ser a dança que faço.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
como a filosofia pode 'mudar' o dançar?
"Como grãos de areia que carecem de princípio e de fim, parafraseando essa parte do livro de areia de Borges, eu, Fernando, compreendo meu processo atual na pesquisa em dança como grãos de areia que se acumulam a cada encontro, a cada dia, até o momento de encher o meu caminhãozinho de forma que ele comece a transbordar e ocupar os espaços, corpos e mentes dos artistas envolvidos em todo esse processo.
É neste ponto que me encontro, transbordando, sujando e preenchendo os lugares. Para mim, às vezes, nada faz sentido, mas o mistério da memória e da ação criativa organiza tudo e coloca cada coisa no seu lugar. Tenho ouvido, não só o meu corpo, mas a todos os artistas da Cia., no sentido de perceber as intenções, desejos, pequenos fragmentos de idéias e possibilidades."
por Fernando Machado
"A arte é o meu trabalho, a arte da dança especificamente. Minha missão é me comunicar com o mundo e com os outros para que eles possam acordar, avaliar, questionar, duvidar, negar, apoiar, conceituar...se transformar. Com isso, a partir da “minha filosofia”, farei com que eles descubram e pratiquem a sua própria."por Maitê Molnar
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A consciência do pensar faz com que identifiquemos certos padrões que influenciam nossas escolhas e, por conseqüência, nossa dança. E é a partir do momento em que esses padrões se tornam conhecidos que a dança escolhida se torna verdadeira."
por Leticia Scalise
terça-feira, 20 de outubro de 2009
reorganização do processo …
por FERNANDO MACHADO
diretor artístico da StacattoSP Cia Dança
Tenho passado a semana toda imaginando como organizar as ideias para poder discutir com o público sobre o processo criativo e esse desdobramento na pesquisa, enquando fico ouvindo, de várias vertentes, que esse processo é um tanto interno. Como organizar as ideias de maneira que outros possam entender? Como exemplificar a realidade caótica do real quando o turbilhão de imagens e signos invadem a mente?
Estou no momento de colocar tudo em xeque:
O que fazer ?
Como fazer?
Para quem fazer?
...Mas aí caio no execício logico da imaginação onde todos os elementos criativos tem uma função específica. Vale dizer que estes estão plenamente justificados ao estabelecer uma relação íntima com outros elementos da pesquisa ou com seu desfecho.
Em outras palavras, nesta organização cuidadosa, nenhum elemento é arbitrário, todos os elementos, por menores que sejam, terão projeção posterior.
A partir de agora irei colocar meus pensamentos , ideias, atitudes e tentar estabelecer parâmetros que organizem (para mim e para quem está me acompanhando) coisas como, a pluralidade de Jorge Luis Borges; a dialética da relação entre pesamento, texto e ação; e ideias construídas nos laboratórios e experimentações da StacattoSP e seu intérpretes criadores.
...
artigo escrito pelo Rodrigo Vilalba ...
Filosofia para melhor dançar
Rodrigo Vilalba Caniza
"A dança torna visível o invisível". (Paul Klee)
Pode uma prática como a filosofia, que apresenta “resultados” muitas vezes tão sutis e difíceis de avaliar por critérios pragmáticos ou utilitaristas, garantir alguma coisa à arte, área de experiência que, segundo críticos como Clemente Greenberg, encontra-se entre aquelas atividades mais pragmaticamente orientadas, ou seja, interessadas apenas nos resultados (os juízos de valor, no caso)?
Os bailarinos que formam o elenco da companhia de dança Stacatto e seu diretor artístico, Fernando Machado, parecem acreditar que sim. Por isso me convidaram a participar de encontros realizados todas as quintas-feiras, com a intenção de discutir formas de incluir o repertório filosófico no universo da dança. Nos encontros, procuramos desenvolver uma metodologia de investigação que use princípios da filosofia como “guias” ou “marcadores” para o processo criativo.
De maneira geral, o método filosófico de investigação proposto sugere uma reflexão contínua e organizada sobre temas fundamentais relacionados ao processo de criação artística.
A primeira etapa do método implicou na percepção consciente do pensamento (fluxo contínuo de idéias) e dos padrões mentais que se instalam ao longo dos anos, como conseqüência da educação recebida e da organização dos valores herdados. Nesse momento, os bailarinos da companhia foram convidados a prestar atenção aos próprios pensamentos e perceber como muitas de suas reações racionais, inclusive suas avaliações sobre a dança e a arte, eram baseadas em definições imprecisas e conceitos vagos.
A segunda etapa do método procurou demonstrar que um dos padrões mentais mais freqüentes e básicos é aquele que nos faz gerar conceitos e definições a partir de oposições. Uma vez que esse padrão gerador de oposições foi conscientemente percebido, pôde ser usado como instrumento para compreensão e interpretação eficiente, como se fosse uma espécie de lente que acentua o contraste e permite perceber com mais clareza as divisões e relações entre as partes que constituem uma criação humana qualquer.
A terceira etapa do método foi realizada com o auxílio de um exemplo, uma produção artística que será interpretada a partir das oposições conceituais dentro das quais suas várias partes de enquadram. O exemplo fornecido é a obra “O Aleph”, do escritor Jorge Luis Borges, considerada ideal para os propósitos criativos dos encontros por comportar doses semelhantes de verossimilhança e fantasias. Nessa etapa, o elenco da Stacatto foi convidado a criar listas de oposições que pudessem ser encontradas entre palavras e conceitos presentes nos contos de Borges.
A quarta etapa do método convidou os participantes a questionar publicamente a qualidade, as intenções e o contexto da obra trabalhada como exemplo. O questionamento aberto, sem limitações provocadas pelo medo da reprovação, esclarece para o próprio questionador e para seus interlocutores as medidas de seu conhecimento e de seu envolvimento com o tema proposto. Nesse momento, os participantes formularam perguntas sobre as obras de Borges e passaram a dirigir esses questionamentos para os colegas de modo sistemático. Qualquer pergunta sobre a obra e sua capacidade de sensibilizar o leitor poderia ser feita e qualquer um poderia responder, inclusive sugerindo possíveis motivações do autor e dos personagens.
Assim, a partir da aplicação da quarta etapa do método o participante tinha a possibilidade de, ao avaliar a obra, avaliar-se com relação à obra. Esse processo de avaliar a si ao avaliar-se com relação ao outro é uma condição essencial para o cumprimento da quinta e última etapa do método, a criação de um discurso que incorpora elementos do outro para obter uma qualidade que, sem a incorporação, não existiria.
O resultado final da aplicação do método é a aquisição da consciência de alteridade, numa acepção próxima a de Emmanuel Lévinas, para quem o sentido mais profundo e verdadeiro do humano e das práticas humanas só pode ser encontrado na sua relação com o outro.
Na verdade, a filosofia não é estranha à dança e ao bailarino, uma vez que participa da formação interdisciplinar dentro da qual os estudos sobre as Artes se encontram. Tampouco a dança, como manifestação do belo, do poético e da arte, não é estranha à filosofia. Existem, inclusive, iniciativas semelhantes à praticada pela companhia Stacatto, como, por exemplo, o projeto de extensão universitária paranaense DAN-SOFIA, criado em 2002 e tornado público em 2003.
Vejamos, a seguir, algumas outras aproximações entre as artes, a dança e a filosofia.
Na Antiguidade
Não entendem que o diferente condiz consigo mesmo: harmonia discordante como a do arco e da lira.
É Heráclito de Éfeso (540 – 480 a. C.) quem inaugura a polêmica sobre a importância que se atribui às criações poéticas (“artísticas”), quando denuncia o mau uso que os leitores de sua época fazem da poesia homérica, esperando dela a descrição de uma verdade histórica. Ainda assim, o mesmo Heráclito faz questão de registra sua admiração ao próprio poeta Homero e à capacidade geral da poesia de dissolver as oposições lógicas da sintaxe regular e aproximar “o arco e a lira”, dois símbolos apolíneos.
Para se avançar no comentário sobre a relação entre as artes e a filosofia é necessário, antes, lembrar que a palavra “arte” originalmente identifica qualquer área de produção humana na qual seja necessário aplicar algum conhecimento específico. Assim, a princípio, seria tão correto falar sobre uma “arte de fazer sapatos” ou “arte de limpar vidros” quanto falar sobre a “arte de fazer música” ou a “arte de dançar”. Do mesmo modo, é importante também considerar que na poética dos muitos filósofos seguidores da tradição platônica, dissociavam-se as práticas artísticas e o belo.
Para Platão, o belo é a própria manifestação da idéia enquanto a arte é considerada imitação e se limita ao território do sensível, a “não-idéia”. Platão limitava à condição do equívoco todo fazer corporal orientado pelos instintos, como as danças báquicas, e negava a certos tipos de dança o valor artístico, preferindo destacar modalidades de dança que tivessem caráter disciplinador, como modelos para aquisição da “virtude”, a excelência física e intelectual que garantia o poder da polis grega.
Aristóteles acreditava que o belo está na manifestação da idéia de ordem, mas já atribuiu ao drama e à música a capacidade de provocar “catarse”, uma sensação de libertação e serenidade. Começa aí outra tradição filosófica que vai, aos poucos, valorizando positivamente as artes e aproximando determinados fazeres artísticos e o conceito de belo.
A arte e o belo
Para a filosofia, o belo tem pelo menos quatro significados possíveis.
Existe a definição platônica do belo como manifestação do Bem, capaz de recordar ao ser humano a perfeição das idéias. Há a definição aristotélica do belo como manifestação da ordem e da simetria. Há a definição romântica do belo como manifestação da verdade e há também a definição da Estética, segundo a qual “beleza” é a qualidade da obra que atingiu a perfeição sensível.
A partir dessa quarta definição de belo como perfeição sensível provavelmente amadurecem todas as demais considerações convencionais que até hoje são encontradas em avaliações sobre as qualidades necessárias à “obra de arte” ou à “obra-prima”, como a capacidade de provocar prazer sensível e agradar de modo universal, sem depender da razão para tanto.
O interessante é perceber que, na filosofia contemporânea, todos ou quase todos os aspectos que, durante muito tempo, definiram a arte como uma manifestação inferior (a plástica sedutora, a polissemia, o desapego da razão e das idealizações) passam agora à condição de forças essenciais para a preservação da atualidade e da coerência do próprio discurso filosófico.
A arte e a filosofia contemporânea
Para muitos filósofos atuais, a arte interessa justamente porque carrega a possibilidade de integrar (ou desconstruir e até mesmo destruir) oposições conceituais, ou de demonstrar as limitações do pensamento que se baseia nessas oposições, como um julgamento que considera apenas as noções de certo e errado. É o caso, por exemplo, de Jacques Derrida, para quem o discurso lógico, baseado em oposições, carrega em si uma limitação que o impede de reconhecer qualquer aproximação da consciência em direção à verdade do conhecido.
Em sentido aproximado, a arte interessa à filosofia contemporânea de Gilles Deleuze, entre outros motivos, porque possui uma força de desterritorialização que pode interromper fluxos de normas e evidenciar a própria vida, a “diferença”.
Finalmente, em Gaston Bachelard, a filosofia contemporânea se aproxima da arte com a finalidade de compreender a ontologia da imaginação criadora e sua força como portadora do “novo”, qualidade possível na arte, capaz de atualizar arquétipos comuns a todos e criar um tipo de transubjetiviade desejável entre artista e público.
Se as contribuições dos filósofos citados acima forem consideradas, talvez seja possível construir um quadro no qual se verifiquem, além das contribuições da arte para a filosofia, os recursos que a filosofia tem a oferecer para o artista.
Esses recursos incluiriam uma metodologia de indagações e investigações sistemáticas, baseadas na lógica, mas, também, na intuição e no livre questionamento, além de uma abordagem esclarecedora, que integra a arte ao conjunto de ações fundamentais para a aproximação do outro, para o desenvolvimento da imaginação criativa, para a construção do novo.
A filosofia também é capaz de alertar para os perigos de se alinhar o fazer artístico a uma ideologia meramente purista, que nega qualquer envolvimento com a história e as agendas políticas e sociais; num sentido oposto, denuncia as limitações da “arte engajada” ou de uma interpretação engajada da arte, que a toma como produto aparentemente capaz de iluminar o mundo com pretensas “verdades” sobre a condição humana.
A dança e a filosofia contemporânea
Trabalhos como o de David Michael Levin e Frank Ries demonstram que a dança é comentada em textos de filósofos essenciais, como Platão, Schopenhauer, Kant, Nietzsche, Heidegger e Hegel, ao longo de toda a história, mas não há, no projeto desses pensadores, nenhuma indicação de uma “filosofia da dança”.
As considerações filosóficas sobre a arte passam a focalizar a dança com mais freqüência, variedade e profundidade apenas nas últimas décadas. Nesse sentido, é possível citar a abordagem fenomenológica de Maxine Sheets-Johnstone, o viés existencialista de Sandra Horton Fraleigh e a análise pós-moderna de Susan Foster, além de trabalhos de autores como o polêmico Roger Garaudy, Nelson Goodman, Joseph Margolis, Stephen Pepper, Curtis Carter e Francis Sparshott.
Sparshott, por exemplo, procura aplicar um sistema lógico na análise das várias definições possíveis para “dança” e na avaliação que faz da crítica de dança.
Existem, ainda, bailarinos cujas pesquisas e reflexões alcançam um nível de profundidade que se assemelha, quando não supera, as iniciativas intelectuais de muitos filósofos. Esse é o caso, por exemplo, de Rudolf Laban e suas abras, que resultam num interesse teórico geral pelo corpo e pelo movimento do corpo.
O estudo do corpo e de suas relações com a arte, a cultura e a formação de identidades sociais sempre esteve presente na história da filosofia, mas ganhou importantes contribuições, ao longo dos anos, graças ao trabalho realizado por pessoas de áreas distintas, como a Semiótica, a Antropologia e a Psicologia.
Dançar com a mente, filosofar com o corpo
Nos encontros filosóficos da Stacatto, a parceria entre dança e filosofia parece, afinal de contas, um bom negócio para as partes envolvidas. A filosofia alcança a dança e (re)descobre nela todo um conjunto de questões contemporâneas e fundamentais, como as dimensões de realização do corpo e os limites e as possibilidades de encantamento que ainda restam à arte. A dança, por sua vez, serve-se da bem-vinda incerteza de resultados do projeto filosófico para renovar sua busca pelo sentido que fundamentará criações futuras.
No sábado, dia 03 de outubro, dentro da semana de apresentações “3ª. Mostra do Fomento à Dança”, a companhia Stacatto teve seu primeiro contato com o público para discutir os resultados dos encontros de quinta-feira. A conversa, intitulada “Idéias & Movimento”, começou com a questão “Em que momento a intenção de dançar transforma-se em dança?”
Fernando Machado acompanhou quase todo o encontro em silêncio e presenciou a participação interessada de bailarinos, convidados e visitantes das mais variadas formações. No final, disse “Hoje dançamos muito!”
Indagado sobre o sentido de sua frase, afirmou a seu modo que, para acontecer, nossa conversa filosófica exigiu altas doses de improviso, atenção e treinamento, como a apresentação de um espetáculo. Filosofia como dança? Aguardamos todos ansiosos um projeto de investigação que possa defender a pertinência dessa comparação. Quem sabe num próximo artigo...
Pisamos terreno desconhecido, perigoso até, mas nos movemos com dedicação. Onde começa a dança e termina a pausa? Sabemos que a filosofia e a dança não se interessam apenas pela dança e pela filosofia. Tampouco se interessam apenas por si próprias. O foco está no mundo, no humano. Enquanto aí estiver, serão nossas as maiores esperanças de assombro e de encontro.
Complemento – por que Jorge Luis Borges? Pequeno manifesto
A obra do escritor argentino Jorge Luís Borges (1899 – 1986) é um espelho de encantamento. Você sai do mundo, entra no espelho e volta para o mundo, devolvido pelo espelho, reencantado. O Aleph, dentro da história, é esse espelho dentro do espelho.
O encantamento é o combustível da criação artística e a filosofia é a ferramenta que mantém vivo o encantamento uma vez desperto por meio da indagação contínua, sem a qual não se procuraria o próprio encantamento.
Nossa questão não é saber se Borges pode ser dançado.
Nossa questão é saber o que, em Borges, reflete o mundo e o que, nesse reflexo do mundo, pode ser inspirador para a dança.
O que descobrimos é que, no Aleph e no Labirinto de Borges, estamos todos contidos e, portanto, o reflexo do mundo inspirador para a dança é o eu e o outro, suas oposições e suas alteridades.
Tudo isso descobrimos lendo Borges: encontramos encantamento no que somos e descobrimos que somos parte do mundo, o outro está contido em nós, mas, ainda assim, há algo próprio nosso, uma essência, que parece não ser de ninguém. Como afirmou, certa vez, o próprio:
Sob a lua a sombra que se alonga é uma só.
Bibliografia
BACHELARD, G. A poética do espaço. In: Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1978
DELEUZE, G.& GUATTARI, F. O anti-Édipo — capitalismo e esquizofrenia. Lisboa, Assírio & Alvim, 1996
MACHADO, R. Deleuze – Arte e Filosofia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2009
SCHÜLER, D. Heráclito e seu (dis)curso. Porto Alegre, L&PM, 2000
WOLFREYS, J. & SOUZA, C. Compreender Derrida. Petrópolis, Vozes, 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Por que filosofia?
“(...) Qual seria, então, a utilidade da Filosofia? Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecido for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil, se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade e os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes”
Marilena Chaui
O labirinto de Borges
Durante os últimos dois meses, os bailarinos da companhia StacattoSP vêm desenvolvendo um método de investigação filosófica aplicado à criação artística. O que interessa, nesse caso, é o caminho intelectual percorrido pelos membros do elenco, suas percepções e questionamentos acerca da vida, da arte e de si mesmos.
O primeiro resultado prático – inquietações e questionamentos transformados em apresentação – é o sarau “Idéias & movimentos”, que acontece dia 03 de outubro na Galeria Olido - sala Azul 2ºandar.
Nesse encontro, a comunidade terá a oportunidade de participar das reflexões e criações artísticas da StacattoSPciaDança”.
Rodrigo Vilalba
Por que ler Borges?
Dizer que ela é labiríntica é repetir im clichê. Talvez valha a pena, então, ressaltar outros de seus múltiplos aspectos: a clareza da construção das frases, a brevidade, o humor, à mistura da erudição e fantasia, de poesia antiga e literatura policial. Porque ler Borges, afinal, é sempre ler, mesmo quando se relê: Borges é tão plural em sua obra quanto foi singular em sua vida.
Por tudo isso, este livro é uma pequena grande síntese de um dos nomes mais fundamentais da literatura mundial. Mesmo porque, nada é mais Borgeano do que cada nova geração de leitores empreender sua própria leitura do grande escritor – ou viver o prazer de revisitá-lo, como a um velho amigo.
Ana Cecília Olmos
O Aleph
“[...] vi a circulação de meu sangue escuro, vi a engrenagem do amor e a transformação da morte, vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Aleph a Terra, e na Terra outra vez o Aleph e no Aleph a Terra, vi meu rosto e minhas vísceras, vi teu rosto, e senti vertigem e chorei, porque meus olhos tinham visto aquele objeto secreto e conjectural cujo nome os homens usurpam mas que nenhum homem contemplou: o inconcebível universo”
Jorge Luís Borges
Tradução: Davi Aurrigucci Jr.
